Author: Er Galvão Abbott

20 anos de PHP: Evoluir é sexy

A segunda-feira, dia 8 de Junho de 2015, marcou o aniversário de 20 anos da linguagem PHP.

Pouco tempo depois da linguagem ter sido criada ela foi lançada como Software Livre e hoje conta com mais de 700 programadores contribuindo para o seu desenvolvimento, incluindo Brasileiros.

Assim como em diversos outros acontecimentos na história destes 20 anos da linguagem, neste detalhe existe uma lição importante a ser aprendida.

Em 1995 o dinamarquês Rasmus Lerdorf decidiu, “do alto” dos seus quase 30 anos de idade tornar a linguagem que havia criado um Software Livre.

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Embora eu tenha tido o privilégio de conversar com o próprio pessoalmente, é impossível para mim – ou para qualquer outra pessoa – imaginar como essa decisão pode ter sido difícil.

Trabalhamos em um mercado onde “complexo” é um termo diário.

O aprendizado muitas vezes acontece de hora em hora e a frequência com que nos descobrimos equivocados é muito maior do que imaginamos.

Um mercado onde impera a “Síndrome do Impostor”, como comentei em outro artigo.

Abrir o seu software para olhos alheios, portanto, é compreensivamente um processo que causa, pra dizer o mínimo, uma certa dose de ansiedade.

Uma vez mais o que nos impede e nos bloqueia é este orgulho tolo que temos de nossa suposta inteligência.

Todos queremos, em maior ou menor grau, nos tornarmos “a referência”, “o mestre”, “o gênio”.

O que custamos a aprender é que isso raríssimamente – se é que ocorre – acontece em um momento “Eureka!”, onde temos uma idéia genial depois de uma quase overdose de cafeína. E certamente não  acontece no isolamento de nossas próprias cabeças.

Neste nosso mercado complexo não existe aprendizado melhor do que abrir o seu código-fonte.

 

Ao fazê-lo você se torna imediatamphp-logo-php-721782ente um alvo, mas isso não precisa necessariamente ser algo negativo: ao receber críticas ao seu trabalho você pode refutá-las por teimosia, refutá-las com argumentos ou aceitá-las – com ou sem argumentos.

Você pode aprender sobre aquele design pattern que parecia impossível de entender.

Você pode descobrir que o mercado recomenda soluções diferentes das suas e, principalmente, entender o motivo dessas recomendações.

E você pode até mesmo – veja só – descobrir que a sua solução tem uma aceitação muito maior do que você imaginava.

Independente do resultado, o importante é que você aprende.

  • Aprende alternativas para o que você está trabalhando;

  • Aprende o quanto você tem razão… e o quanto não tem;

  • Aprende a defender os seus posicionamentos;

  • Aprende a aceitar os seus erros e, tão importante quanto, crescer com eles;

  • Aprende que não existem “obras-primas” que tudo neste nosso mercado evolui.

A linguagem PHP evoluiu tremendamente nestes 20 anos, tornando-se a linguagem que está presente em mais de ¾ de todos os servidores conectados a web no mundo. Falo disso em uma palestra que já tive o prazer de apresentar em diversas instituições e eventos, e esta palestra, que muito pouco tem de técnica, atrai sempre a atenção e os elogios do público. A razão de toda essa atenção e elogios é simples: a evolução é sexy.

Sim, você leu certo: Evoluir é sexy.

É um processo extremamente difícil, muitas vezes doloroso, mas ao vermos os benefícios deste processo é impossível não nos encantarmos.

É impossível não sorrirmos hoje, passados estes 20 anos, quando lembramos o quanto a linguagem foi vítima de críticas injustas, piadas tolas e previsões de sua morte prematura.

Foram dificuldades que tornaram o processo de evolução feio, difícil e caótico, mas isso tudo faz parte de um processo evolutivo, de aprendizado e crescimento.

Aprendemos a rebater as críticas injustas, aprendemos a ignorar as piadas tolas e aprendemos a rir dos futurólogos do mercado, que adoram prever a morte das coisas.

Hoje, 20 anos depois, aprendemos que podemos nos tornar “um Rasmus da vida”, se estivermos dispostos a encarar as dificuldades.

E ao olhar para o PHP 5.6.9 e dar aquela “espiadinha” no que vem por aí no PHP 7, aprendemos o quanto algo pode evoluir ao se tornar coletivo e o quão brilhante pode ser o futuro.

Vida longa ao PHP!

Referencias:
Histórico da Logo do PHP: http://blog.tetranet.com.br/o-motivo-de-o-mascote-simbolo-do-php-ser-um-elefante/

Er Galvão Abbott
No Code Squad, ministra os seguintes treinamentos: http://code-squad.com/perfil/galvao#cursos-ministrados

Er Galvão Abbott – É o Presidente da ABRAPHP – Associação Brasileira de Profissionais PHP, Diretor da PHP Conference Brasil, o principal evento de PHP da América Latina e fundador do PHPBR, Grupo de Usuários com mais de 1.200 associados. Trabalha há mais de 20 anos desenvolvendo sistemas e aplicações com interface web, sendo 15 anos com PHP e 7 anos com Zend Framework. Trabalhou com diversas empresas de grande porte, tanto nacionais como internacionais. Palestra em eventos e ministra cursos em diversas instituições, bem como in company. – See more at: http://code-squad.com/perfil/galvao#perfil

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Shaw, Einstein e o mercado de TI: A “Síndrome do Impostor” e o suco de limão

“Expert”, “Especialista”, “Mestre”, “Jedi”, “Ninja”…

Não é irônico que um mercado tenha criado tantas expressões para indicar o alto nível de conhecimento de seus profissionais e maioria destes profissionais tenha receio em adotá-las?

Se você trabalha há algum tempo no mercado de TI e especialmente se você decidiu se tornar instrutor, professor ou palestrante há boas chances de que você já

tenha se sentido… bem, uma espécie de fraude.

É o que chamamos de “Síndrome do Impostor”: o sentimento de que você não é tão bom quanto as pessoas pensam; que você não deveria realmente estar ocupando aquele espaço na grade de programação de um evento, ou contribuindo na formação de outros profissionais: que existem pessoas muito melhor qualificadas do que você pra isso.

O que muita gente desconhece é que a “Síndrome do Impostor” é real: ela se chama “Efeito Dunning–Kruger”: O pré-conceito cognitivo que indivíduos de pouca habilidade têm de que seus talentos são muito superiores do que realmente são e, em um sentido oposto, que indíviduos de muita habilidade têm de que seus talentos não são bons o bastante.

A inspiração para o estudo que determinou a existência do Efeito Dunning–Kruger foi um ladrão de bancos chamado McArthur Wheeler: ele roubou dois bancos usando como único disfarce… suco de limão (sério).

McArthur sabia que suco de limão pode ser usado como tinta invisível, revelado apenas pelo calor. O que ele não possuía era o conhecimento de porque este efeito de tinta invisível funciona, ou como câmeras funcionam, e portanto simplesmente imaginou que o suco de limão tornaria seu rosto invisível para as câmeras de segurança.

O Efeito Dunning–Kruger nasce, no caso de indivíduos de pouca habilidade, de uma impressão errônea que a pessoa tem de si mesma: ao ter pouca proficiência e/ou conhecimento em uma atividade, a pessoa imagina que esta atividade é simples, fácil e que portanto não há muito mais a saber a respeito.

No caso de pessoas de muita habilidade ele nasce de uma impressão errônea que a pessoa tem dos outros: de que eles não considerarão o seu conhecimento tão bom, ou ainda que eles possuem o mesmo nível de conhecimento.

O fato é que quanto mais se conhece381321976_620b11019a_n sobre um assunto, mais noção temos do quanto o assunto é complexo e vasto e portanto nos damos conta da dimensão de nossa ignorância.

No sentido contrário, ao conhecermos pouco sobre um tema, ignoramos a sua dimensão e portanto cremos que sabemos “tudo o que há para saber”.

George Bernard Shaw em certa ocasião criticou Albert Einstein, dizendo que “A Ciência está sempre errada: nunca resolve um problema sem criar outros dez”.

Einstein  não discordou: ele usou geometria para ilustrar como a ignorância cresce mais rapidamente do que o conhecimento, dizendo “Enquanto nosso círculo de conhecimento expande, também expande a circunferência de escuridão que o cerca. Aprender, estudar, lançar luz em um campo de pesquisa também revela o quão no escuro continuamos a estar”.

Um dos problemas que ainda existem em nosso mercado é a dificuldade em aceitar o erro. Do lado dos profissionais, é normalmente doloroso aceitar que erramos; sentimos que isso nos diminui, nos rebaixa.

Na ótica do “público” a dificuldade não é menor: o público deseja alguém que os conduza pela mão, que o assegure de verdades absolutas e soluções facilmente implementáveis e reproduzíveis.

Precisamos aprender a lidar com nosso conhecimento e com a falta dele. Precisamos aprender a errar e principalmente aprender a admitir o erro e… aprender com ele.

 

Não somos “Experts”. Não somos “Especialistas”. Não somos “Mestres”, “Jedis” ou “Ninjas”. Somos profissionais. Somos estudiosos, eternos pesquisadores e como tal estatisticamente estaremos com muito mais frequência errados do que certos e existe beleza nisso: é assim que o processo de crescimento e amadurecimento ocorre.

Senhoras e Senhores Profissionais: errem mais, admitam mais, cresçam mais.

Senhoras e Senhores do Público: tenham mais paciência conosco e por gentileza reduzam a altura de nossos pedestais.

Referências:
Dunning–Kruger effect,Wikipedia;

What Is The Speed of Dark?, Vsauce, a partir de 8’49”;

The Dunning-Kruger Effect, Huffington Post

Foto do Ninja, Seth Werkheiser (Flickr.com)

Er Galvão Abbott
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Er Galvão Abbott – É o Presidente da ABRAPHP – Associação Brasileira de Profissionais PHP, Diretor da PHP Conference Brasil, o principal evento de PHP da América Latina e fundador do PHPBR, Grupo de Usuários com mais de 1.200 associados. Trabalha há mais de 20 anos desenvolvendo sistemas e aplicações com interface web, sendo 15 anos com PHP e 7 anos com Zend Framework. Trabalhou com diversas empresas de grande porte, tanto nacionais como internacionais. Palestra em eventos e ministra cursos em diversas instituições, bem como in company. – See more at: http://code-squad.com/perfil/galvao#perfil

 

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